Esboço de pregação sobre as características da igreja primitiva. Sermão com lições em Atos 2.
Resumo do esboço
TEMA: QUATRO MARCAS DE UMA IGREJA FORTE
TEXTO DA PREGAÇÃO: Atos 2
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2:42)
PROPÓSITO: Exortativo – levar a igreja a olhar para o modelo apresentado em Atos 2 e cultivar quatro marcas essenciais: unidade, conhecimento da verdade, vida no Espírito e testemunho de Cristo.
INTRODUÇÃO
O que fazia a igreja de Atos ser tão simples em sua estrutura, mas tão poderosa em sua influência?
Atos 2 registra um dos momentos mais importantes da história da Igreja. Jesus havia ressuscitado e subido ao céu.
Os discípulos obedeceram à sua ordem e permaneceram em Jerusalém, esperando a promessa do Pai.
Naquele dia, o Espírito Santo foi derramado, Pedro anunciou Cristo, milhares receberam a Palavra e a igreja começou a mostrar, na prática, os efeitos do evangelho.
O capítulo começa com cerca de 120 discípulos reunidos (At 1:15), depois registra quase três mil pessoas acrescentadas à igreja (At 2:41) e termina dizendo: “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (v. 47).
Mas Lucas não destaca apenas o crescimento. Ele mostra também que tipo de igreja estava crescendo.
Era uma igreja cheia de alegria, bem vista pelo povo e que via novas pessoas sendo salvas (vv. 46-47). Sua força não estava em métodos complicados.
Atos 2 mostra quatro marcas daquela igreja que continuam importantes para a igreja de hoje.
I. ERA UMA IGREJA UNIDA
1. Unidos na esperança da mesma promessa. Antes de o Espírito Santo ser derramado, Lucas registra: “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (v.1).
Eles tinham histórias e personalidades diferentes, mas esperavam juntos aquilo que Jesus havia prometido.
2. Unidos na perseverança da mesma fé. Depois do Pentecostes, a igreja cresceu rapidamente, mas a unidade permaneceu.
Os novos convertidos “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão” (v.42).
Paulo escreveria mais tarde: “há um só corpo e um só Espírito […] um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4:4-5).
3. Unidos no cuidado uns pelos outros. A comunhão tornou-se prática: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum” (v.44).
Diante das necessidades, eles estavam dispostos a repartir o que tinham e cuidar uns dos outros (vv. 45-46).
II. ERA UMA IGREJA INFORMADA
1. Conhecia a Palavra de Deus. Aqueles discípulos não tinham apenas experiências com Deus, tinham conhecimento das Escrituras.
A Palavra orientava sua compreensão daquilo que Deus estava fazendo (vv.16-21,25-35).
Uma igreja forte não vive apenas do que sente, mas vive fundamentada no que Deus disse.
2. Conhecia a pessoa e a obra de Jesus. Aquela igreja sabia em quem havia crido.
Por isso, Pedro declarou: “A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas” (v. 32).
Uma igreja bem ensinada não conhece apenas a Bíblia, conhece também o Cristo que a Bíblia apresenta.
3. Continuava crescendo no conhecimento da verdade. Mesmo depois do Pentecostes, eles não pensaram que já sabiam o suficiente. “Perseveravam na doutrina dos apóstolos” (v.42).
Continuavam ouvindo, aprendendo e sendo ensinados. Uma igreja forte nunca para de aprender a verdade de Deus.
III. ERA UMA IGREJA ESPIRITUAL
1. Cheia do Espírito Santo. A promessa de Jesus se cumpriu: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (v.4).
Aquela igreja não começou dependendo apenas de capacidade, organização ou recursos humanos. Começou dependendo do poder que vinha de Deus.
Jesus havia dito: “recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (At 1:8).
Antes de enviar a igreja para a missão, Deus a revestiu de poder.
2. Guiada pelo Espírito Santo.
- O Espírito conduziu Filipe até o eunuco: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o” (At 8:29);
- Dirigiu Pedro até a casa de Cornélio: “Vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei” (At 10:20);
- Orientou a igreja de Antioquia na missão: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2).
A igreja não apenas tinha o Espírito, aprendia a obedecer à direção do Espírito.
3. Transformada pelo Espírito Santo. Depois do Pentecostes, a mudança apareceu na maneira como aquela comunidade vivia.
Havia temor (v.43), generosidade (v.45), comunhão (v.46), alegria (v.46), louvor (v.47) e testemunho.
Uma igreja espiritual não é reconhecida apenas pelo que acontece durante o culto, mas também pelo que seus membros vivem depois dele.
Paulo afirma: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl 5:25).
IV. ERA UMA IGREJA QUE TESTEMUNHAVA
1. Testemunhava das grandezas de Deus. Quando o Espírito Santo foi derramado, pessoas de diferentes lugares disseram: “como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?” (v.11).
A primeira reação daquela igreja cheia do Espírito foi falar das obras de Deus.
2. Testemunhava claramente de Jesus. Pedro não deixou a multidão apenas admirada com o Pentecostes. Ele conduziu todos a Cristo: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus […] Deus o fez Senhor e Cristo” (v.36).
“Porque não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” (At 4:20)
3. Testemunhava também pela maneira de viver. O evangelho estava nos lábios de Pedro, mas também podia ser visto na comunidade.
Eles repartiam, serviam, adoravam, conviviam com alegria e desfrutavam “da simpatia de todo o povo” (v.47).
Ou seja, não ficava só em palavras, mas em testemunho de vida.
Jesus ensinou: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens” (Mt 5:16).
CONCLUSÃO
Atos 2 nos apresenta uma igreja que não possuía tudo aquilo que temos hoje, mas possuía aquilo que nenhuma igreja pode perder.
- Era uma igreja unida: unida na esperança, na fé e no cuidado.
- Era uma igreja informada: conhecia a Palavra, conhecia Jesus e continuava crescendo na verdade.
- Era uma igreja espiritual: cheia, guiada e transformada pelo Espírito Santo.
- Era uma igreja que testemunhava: falava das grandezas de Deus, anunciava Jesus e demonstrava sua fé através da vida.
E qual foi o resultado?
“Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (v.47).
Eles testemunhavam, mas o Senhor acrescentava. Eles pregavam, mas o Senhor salvava. Serviam, mas o Senhor fazia sua igreja crescer.
Essa talvez seja uma das maiores lições de Atos 2. A força daquela igreja não estava nela mesma. Sua força vinha de Cristo.
Por isso, igreja, permaneçamos unidos… Cresçamos na verdade… Vivamos cheios do Espírito. Testemunhemos de Jesus.
Nossa maior necessidade não são apenas igrejas maiores, mas igrejas cheias do poder de Deus: unidas, firmadas na verdade, cheias do Espírito e apaixonadas por tornar Jesus conhecido.
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