Colhemos o que plantamos: Grandes lições de Lucas 6:37-38

Esboço de pregação em Lucas 6:37-38 com lições sobre a lei da semeadura.

Resumo do esboço

TEMA: COLHEMOS O QUE PLANTAMOS

TEXTO DA PREGAÇÃO: Lucas 6:37-38

“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.” (Lc 6:37)

“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” (Lc 6:38)

PROPÓSITO: Ético ou moral – ensinar a igreja a cultivar atitudes de misericórdia, perdão e generosidade, tratando o próximo conforme os princípios de Cristo.

INTRODUÇÃO

Amados, a vida tem uma lei… a semente que plantamos determina a espécie de fruto que podemos colher.

Imagine um agricultor que prepara a terra, planta espinhos e, meses depois, reclama porque não nasceram flores. O problema não estava na terra, mas no que ele escolheu plantar.

Na vida espiritual também precisamos prestar atenção ao que estamos plantando todos os dias.

Semeamos por meio das nossas palavras, atitudes e escolhas. Muitas vezes, fazemos isso sem perceber.

Em Lucas 6, Jesus está ensinando seus discípulos sobre a vida no Reino de Deus.

Esse é o famoso sermão do monte. Nele, Jesus ensina uma forma de viver bem diferente daquilo que o mundo costuma ensinar.

Um detalhe chama a atenção: antes de falar sobre julgar, condenar, perdoar e dar, Jesus havia ordenado: “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (v.36).

Portanto, o assunto central não é simplesmente receber de volta aquilo que fazemos. É aprender a tratar as pessoas com a misericórdia que recebemos de Deus.

E há uma expressão que une todo o nosso texto: “com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (v.38).

Queridos, nesta mensagem, quero compartilhar quatro atitudes que Jesus nos ensina a cultivar…

I. SE TEMOS SIDO JULGADOS É PORQUE JULGAMOS (v.37)

1. Julgamos precipitadamente porque é mais fácil enxergar os erros dos outros do que os nossos.

Temos uma facilidade impressionante para perceber as falhas alheias. Identificamos rapidamente o que alguém fez de errado, mas encontramos dificuldade para reconhecer nossos próprios erros.

Jesus já havia confrontado essa atitude ao perguntar: “Por que atentas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (v.41).

Que comparação forte! Conseguimos enxergar um pequeno cisco no olho do irmão, mas ignoramos uma enorme trave no nosso.

Queridos, antes de examinar a vida dos outros, precisamos examinar a nossa. Quem passa a vida procurando defeitos nos outros acaba esquecendo que também precisa ser transformado.

2. Julgamos injustamente porque somente Deus é perfeitamente justo.

Sabe por que nossos julgamentos tantas vezes são injustos? Porque enxergamos apenas uma parte da história.

Vemos atitudes, mas nem sempre conhecemos as intenções. Ouvimos palavras, mas desconhecemos as circunstâncias.

Tiramos conclusões sobre pessoas sem compreender tudo o que elas estão enfrentando.

Deus, porém, conhece o coração. Como está escrito: “O homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1Sm 16:7).

Isso não significa abandonar o discernimento ou deixar de reconhecer o pecado. Significa não assumir o lugar de Deus, pronunciando sentenças sobre aquilo que não conhecemos plenamente.

Ei, quantas vezes já julgamos alguém e depois descobrimos que estávamos completamente enganados?

Nós enxergamos as aparências, mas Deus conhece toda a verdade.

Portanto, antes de julgar alguém precipitadamente, reconheça suas próprias limitações e trate o próximo com a misericórdia que você também precisa receber.

II. SE TEMOS SIDO CONDENADOS É PORQUE CONDENAMOS (v.37)

1. Quem condena transforma o erro de alguém em uma sentença sobre sua vida.

“Não condeneis, e não sereis condenados” (v.37).

Existe uma diferença entre reconhecer uma atitude errada e tratar uma pessoa como se ela não tivesse mais esperança.

Condenar, nesse sentido, é assumir a posição de juiz definitivo sobre a vida do outro.

Mas, queridos, quem de nós gostaria de ser definido pelo pior dia de sua história?

2. Quem conhece a misericórdia de Deus também deve dar espaço para que o outro se arrependa e mude.

Porque, assim como recebemos misericórdia de Deus, também devemos demonstrar misericórdia aos outros.

Isso não significa ignorar o pecado ou deixar de corrigir aquilo que precisa ser corrigido. Significa que a correção deve buscar a restauração, não a humilhação.

III. SE TEMOS SIDO PERDOADOS É PORQUE PERDOAMOS (v.37)

1. Quem perdoa decide não alimentar a dívida emocional de quem o feriu.

Jesus ordena: “Perdoai, e sereis perdoados” (v.37).

Perdoar não é dizer que a ofensa não teve importância. Também não é fingir que a dor desapareceu.

Perdoar é renunciar à vingança pessoal e entregar a Deus aquilo que não conseguimos resolver com nossas próprias forças.

E sabe o que acontece? A pessoa que nos feriu pode até ter seguido sua vida, enquanto continuamos presos à lembrança da ofensa.

2. Quem recebeu o perdão de Deus precisa estender perdão aos outros.

Jesus ensinou essa verdade também na parábola do servo impiedoso, em Mateus 18:23-35.

Aquele homem recebeu o perdão de uma dívida enorme, mas se recusou a perdoar uma dívida muito menor.

Ele queria misericórdia, mas não estava disposto a ter misericórdia do próximo.

O perdão que oferecemos não compra o perdão divino. Somos salvos pela graça. Mas, quem experimenta essa graça, demonstra também.

É isso amados, o perdão recebido de Deus deve produzir um coração disposto a perdoar.

IV. SE TEMOS RECEBIDO É PORQUE TEMOS DADO (v.38)

1. Quem dá com generosidade revela um coração que não vive apenas para si.

“Dai, e ser-vos-á dado” (v.38).

Observe que o ensino começa com uma atitude: dar.

No contexto, essa generosidade vai além das ofertas materiais. Podemos dar atenção, tempo, cuidado, ajuda e compreensão.

Há pessoas que possuem poucos recursos, mas têm um coração generoso. E há pessoas que possuem muito, mas vivem de mãos fechadas.

A generosidade não começa na quantidade que temos. Começa na disposição de compartilhar.

2. Quem dá com generosidade aprende a usar uma medida diferente.

Jesus fala de uma medida “boa, recalcada, sacudida e transbordando” (v.38).

A imagem vem do comércio daquele tempo. Ao colocar grãos em um recipiente, era possível apertá-los e sacudi-los para caber ainda mais.

Jesus usa essa figura para mostrar uma medida abundante, muito diferente de quem oferece apenas o mínimo.

E conclui: “com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (v.38).

Que medida estamos usando?

Às vezes queremos receber atenção, mas não damos atenção. Desejamos ajuda, mas nunca estamos disponíveis. Esperamos generosidade, mas oferecemos apenas aquilo que não nos faz falta.

Mãos generosas revelam um coração que aprendeu a confiar na provisão do Pai.

CONCLUSÃO

Se Deus nos tratasse apenas segundo aquilo que merecemos, nenhum de nós teria esperança.

Todos nós pecamos. Todos falhamos. E, todos precisamos de misericórdia.

E foi justamente por isso que Jesus veio ao mundo.

Na cruz, Ele recebeu a condenação que nossos pecados mereciam, para que, pela graça, pudéssemos receber perdão e vida.

Que amor maravilhoso! Cristo não veio apenas ensinar uma nova maneira de tratar as pessoas. Ele veio transformar nosso coração para que pudéssemos viver dessa maneira.

Talvez hoje você precise pedir perdão por palavras duras, abandonar um julgamento precipitado, liberar uma mágoa ou aprender a ser mais generoso.

Então, não espere que os outros mudem primeiro. Comece diante de Deus.

Peça ao Senhor um coração semelhante ao de Jesus. Um coração que não tenha prazer em condenar, que saiba perdoar e que encontre alegria em fazer o bem.

Porque a melhor maneira de mudar a colheita de amanhã é deixar a graça de Deus transformar as sementes que plantamos hoje.

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Prof. André Lourenço

Mestrando em Teologia, professor e autor de cursos de Homilética e Hermenêutica. Apaixonado por ensinar a Palavra de Deus, se considera um eterno aprendiz no serviço ao Reino.

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